A NR1 atualizada trouxe uma das mudanças mais importantes para o ambiente de trabalho nos últimos anos: a obrigação de as empresas identificarem e gerirem os riscos psicossociais dos seus colaboradores.
Isso inclui fatores como estresse crônico, assédio, sobrecarga de trabalho e pressão excessiva. Até então, esses elementos eram tratados informalmente. A partir de maio de 2026, precisam estar documentados no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), com o mesmo rigor dado aos riscos físicos, químicos e biológicos.
O prazo já está em andamento. Entender o que mudou e o que a sua empresa precisa fazer agora é o caminho mais seguro para evitar multas e passivos trabalhistas.
O que é a NR1 e por que ela foi atualizada
A NR1 é a Norma Regulamentadora base de toda a legislação de segurança e saúde no trabalho no Brasil. Criada em 1978, ela serve de fundamento para todas as outras 37 normas regulamentadoras.
Em agosto de 2024, o Ministério do Trabalho e Emprego publicou a Portaria MTE nº 1.419, que atualizou o Capítulo 1.5 da norma. A principal mudança foi tornar obrigatória a inclusão dos riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO).
Segundo dados do Ministério da Previdência Social, mais de 472 mil trabalhadores precisaram se afastar do trabalho por transtornos mentais em 2024, um aumento de 68% em relação aos anos anteriores. Esse cenário foi um dos motores da atualização.
O período educativo teve início em maio de 2025. As autuações formais começam a partir de 25 de maio de 2026.
O que mudou com a NR1 atualizada
A mudança central é a inclusão expressa dos riscos psicossociais no PGR. Antes, esses riscos não eram citados de forma direta na norma. Agora, precisam ser identificados, avaliados, controlados e documentados como qualquer outro risco ocupacional.
O que entra nessa categoria? Situações como jornadas exaustivas, metas inalcançáveis, assédio moral e sexual, falta de clareza nas responsabilidades, ambientes altamente competitivos, conflitos entre colegas e lideranças tóxicas. Todos esses fatores podem prejudicar a saúde mental dos trabalhadores e agora têm respaldo normativo claro para gerar autuações.
Além dos riscos psicossociais, a norma também reforçou a obrigatoriedade de análise de acidentes e doenças do trabalho para todas as empresas, inclusive aquelas que não são obrigadas a manter o SESMT (Serviços Especializados em Segurança e Medicina do Trabalho). Também foram aprimoradas as regras para treinamentos e capacitações obrigatórias.
Outra novidade é o maior envolvimento da CIPA no processo. A norma determina que os trabalhadores sejam consultados sobre os riscos e que a CIPA atue ativamente na gestão e revisão do PGR.
Quais empresas precisam se adequar à NR1 atualizada
Todas. A norma vale para qualquer empresa que tenha ao menos um colaborador com vínculo formal de trabalho, independentemente do porte ou setor.
Isso inclui microempresas, PMEs, empresas de médio e grande porte, estabelecimentos de saúde, comércio, serviços e indústria. A única diferença é que empresas com mais colaboradores tendem a ter um ambiente de riscos mais complexo, o que exige um PGR mais detalhado.
De acordo com a Agência Gov do Ministério do Trabalho e Emprego, os setores que terão fiscalização prioritária são teleatendimento, bancos e estabelecimentos de saúde, por apresentarem maior incidência histórica de adoecimento mental.
Como se preparar na prática
O primeiro passo é mapear os riscos psicossociais existentes no ambiente da empresa. Isso pode ser feito com questionários de saúde mental, pesquisas de clima organizacional e entrevistas com gestores e equipes.
Com o diagnóstico em mãos, o próximo passo é documentar os riscos identificados no PGR e criar um plano de ação com prazos, responsáveis e indicadores de monitoramento. A norma exige que as ações sejam revisadas com regularidade.
Confira as etapas práticas recomendadas:
A avaliação ergonômica preliminar (AEP) é o ponto de entrada recomendado pelo Ministério do Trabalho. Em casos mais complexos, pode ser necessária uma Análise Ergonômica do Trabalho (AET). As medidas de controle de riscos psicossociais devem ser integradas às ações já previstas na NR-17 (Ergonomia).
Capacitar lideranças também é uma exigência implícita da norma. Gestores que não reconhecem ou que reproduzem ambientes de risco se tornam um passivo jurídico para a empresa.
A implementação de um canal de denúncias seguro e anônimo é outra medida recomendada, especialmente para os casos de assédio.
A Organização Internacional do Trabalho estima que 1 em cada 6 trabalhadores sofre com ansiedade, depressão ou estresse ocupacional. A OIT reforça que ambientes de trabalho seguros psicologicamente são responsabilidade do empregador.
Como se adaptar à NR1 sem complicações?
A adequação à NR1 não precisa ser um desafio complexo. Com planejamento e ações práticas, sua empresa pode cumprir as novas exigências e ainda melhorar o ambiente de trabalho.
Veja abaixo um guia simplificado para implementar as mudanças sem dor de cabeça.
1. O primeiro passo para a NR1 é mapear os riscos psicossociais
Identifique fatores como estresse crônico, assédio moral, sobrecarga de trabalho e falta de apoio emocional.
Utilize ferramentas como pesquisas de clima organizacional e questionários de saúde mental para coletar dados reais .
Empresas como a Bentec oferecem soluções como o Checkup do Bem, que avalia individualmente a saúde dos colaboradores por meio de exames e perguntas simples, indicando acompanhamentos personalizados conforme os resultados..
2. Desenvolva um plano de ação
Após identificar os riscos à NR1, crie estratégias para reduzi-los. Isso inclui:
– Políticas de apoio psicológico: ofereça terapia online ou presencial, como sugere a NR1 atualizada .
– Revisão de cargas de trabalho: ajuste prazos e distribuição de tarefas para evitar sobrecarga .
– Canais de denúncia seguros: permita que colaboradores relatem problemas sem medo de retaliação .
3. Capacite líderes e equipes
Treinamentos são essenciais para que gestores saibam identificar sinais de riscos psicossociais e saibam agir.
Inclua temas como:
– Gestão de estresse;
– Comunicação não violenta;
– Prevenção ao assédio moral.
4. Documente tudo e monitore resultados
A NR1 exige registros detalhados das ações implementadas. Logo, mantenha documentos como:
– Relatórios de avaliação de riscos;
– Planos de ação;
– Registros de treinamentos .
Use plataformas digitais para armazenar esses dados, conforme permite a norma desde 2020. Lembre-se de que o Checkup do Bem reúne todos os exames e interações com os colaboradores em um só lugar.
5. Invista em prevenção contínua
A adaptação à NR1 não termina após a implementação inicial.
Faça avaliações periódicas e colete feedbacks dos colaboradores para ajustar estratégias. A Bentec, como consultoria especializada na gestão de benefícios, já reduziu os afastamentos por saúde mental com esse método.
Quais documentos precisam ser revisados
O principal é o PGR. Ele precisa incluir o inventário de riscos psicossociais e o plano de ação correspondente. Se a sua empresa tinha um PGR desatualizado ou genérico, este é o momento de revisá-lo.
O PCMSO (Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional) também precisa ser alinhado às novas diretrizes. Os afastamentos por transtornos mentais devem ser mapeados e analisados como indicador de risco.
Além disso, todos os treinamentos obrigatórios devem contemplar o tema de saúde mental e riscos psicossociais. Gestores, membros da CIPA e equipes de RH são os públicos prioritários para essas capacitações.
Entenda mais sobre como o cuidado com a saúde dos colaboradores impacta o plano de benefícios da empresa: gestão de saúde para empresas.
O que acontece se a empresa não se adequar
A partir de maio de 2026, os auditores fiscais do Ministério do Trabalho terão base normativa clara para autuar empresas que não tiverem gerenciado os riscos psicossociais.
As multas podem variar conforme o grau de infração. Além das penalidades administrativas, empresas sem documentação e ações preventivas ficam expostas a ações trabalhistas. Em processos de burnout, depressão ou ansiedade ocupacional, a ausência de gestão desses riscos facilita a comprovação de culpa da empresa.
Especialistas em direito trabalhista alertam que o Judiciário já considera a nova norma ao analisar casos de adoecimento mental relacionados ao trabalho. A tendência é de aumento significativo das ações nessa área.
Saúde mental no trabalho: por que o Brasil chegou a esse ponto
O Brasil ocupa uma posição preocupante nos rankings globais de adoecimento mental relacionado ao trabalho. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o burnout já é classificado como um fenômeno ocupacional, o que significa que ele tem origem reconhecida no ambiente de trabalho.
No contexto brasileiro, a combinação de jornadas longas, pressão por resultados, insegurança econômica e gestão pouco estruturada criou um cenário em que os afastamentos por transtornos mentais cresceram de forma consistente nos últimos anos.
Dados do INSS mostram que ansiedade e depressão figuram entre as principais causas de afastamento do trabalho no país. Isso afeta diretamente a sinistralidade dos planos de saúde, a produtividade das equipes e o custo das empresas com substituição de pessoal.
A atualização da NR1 é uma resposta normativa a essa realidade. Mas a adequação legal não resolve o problema por si só. O que reduz o adoecimento mental no trabalho são mudanças reais na organização do trabalho, na cultura de liderança e no suporte oferecido às pessoas.
Empresas que entendem isso saem na frente. Elas adequam a documentação exigida e, ao mesmo tempo, constroem um ambiente em que os colaboradores realmente têm condições de trabalhar com saúde.
Por que o Checkup do Bem é uma solução eficaz para se adequar à atualização da NR1?
Além de ajudar no cumprimento da NR1, o Checkup do Bem mitiga custos com exames desnecessários e previne problemas graves, como internações.
A ferramenta também melhora a qualidade de vida dos colaboradores, alinhando-se às exigências de saúde mental da norma.
Com o Checkup do Bem, você dá ao seu time a oportunidade de encontrar o acompanhamento certo, na hora certa, prevenindo custos excessivos com exames e, por sua vez, os impactos na sinistralidade do plano de saúde.
Tenha certeza: a NR1 é uma oportunidade para transformar o ambiente de trabalho em um espaço mais humano e produtivo.
Com ferramentas como o Checkup do Bem e um planejamento claro, sua empresa evita penalidades, ganha engajamento e gera excelente economia na gestão de saúde.
Saiba mais! Confira tudo sobre o Checkup do Bem para a NR1 e fale conosco!
Perguntas frequentes sobre a NR1 atualizada
O que é a NR1 atualizada? É a versão revisada da Norma Regulamentadora nº 1, publicada em agosto de 2024, que tornou obrigatória a inclusão dos riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) de todas as empresas.
Qual é o prazo para adequação à NR1 atualizada? O prazo final é 25 de maio de 2026. A partir dessa data, encerram o período educativo e têm início as autuações formais pelo Ministério do Trabalho.
Quais riscos psicossociais precisam ser mapeados? Assédio moral e sexual, sobrecarga de trabalho, metas inalcançáveis, jornadas excessivas, pressão psicológica, conflitos interpessoais e ambientes organizacionais tóxicos.
A empresa é obrigada a contratar um psicólogo? Não há obrigatoriedade de contratação de psicólogo como funcionário fixo. No entanto, a empresa pode contratar profissionais como consultores para auxiliar no diagnóstico e na implementação das medidas.
O que acontece se a empresa não se adequar? Multas administrativas e exposição a ações trabalhistas. Sem documentação e plano de ação, a empresa fica vulnerável em casos de adoecimento mental com nexo causal no trabalho.
