A saúde suplementar no Brasil é um daqueles setores que quase todo mundo usa, comenta e critica, mas poucos conhecem de fato pelos números. Ela sustenta o acesso à saúde de dezenas de milhões de pessoas e movimenta centenas de bilhões de reais por ano, ao mesmo tempo em que convive com desconfiança, judicialização e reajustes que pesam no bolso.

Sabendo que esse tema é um tanto quanto complexo para muitos profissionais de RH e profissionais que atuam na gestão de saúde suplementar, criamos um raio-x do setor unindo duas camadas que costumam aparecer separadas: os dados estruturais, que mostram o tamanho e a saúde financeira do mercado, e a percepção dos brasileiros, revelada por uma pesquisa nacional.

Juntas, elas desenham um retrato honesto de onde a saúde suplementar está e para onde caminha.

Siga conosco e confira!

O que é a saúde suplementar no Brasil

Saúde suplementar é o conjunto de ações e serviços privados de saúde oferecidos pelas operadoras de planos de saúde. Ela existe em paralelo ao SUS, o sistema público, e é contratada por pessoas físicas ou por empresas que oferecem o plano como benefício aos funcionários.

O setor nasceu nos anos 1960, quando empresas privadas passaram a oferecer assistência médica às suas equipes. A regulação veio depois e se consolidou com a criação da Agência Nacional de Saúde Suplementar, a ANS, em 2000. Desde então, é a ANS que define regras de cobertura, reajuste e funcionamento das operadoras.

Vale não confundir dois termos parecidos. Saúde suplementar é a assistência privada prestada pelas operadoras de planos. Saúde complementar é quando a iniciativa privada presta serviço dentro do sistema público, complementando o SUS. São coisas diferentes, embora as palavras se pareçam.

Dentro da saúde suplementar existem duas grandes formas de contratar. Há o plano individual ou familiar, contratado direto pela pessoa, e há o plano coletivo, contratado por uma empresa para os funcionários ou por uma entidade de classe para seus associados. Essa distinção importa porque as regras de reajuste, carência e cancelamento mudam conforme a modalidade, e é o coletivo empresarial que concentra a maior parte do mercado.

O tamanho do setor em números

Para entender a saúde suplementar no Brasil, o melhor ponto de partida são os números da própria ANS. Eles mostram um mercado grande e em recuperação:

Do lado financeiro, o setor vive um bom momento. A sinistralidade das operadoras foi de 81,7% em 2025, o menor patamar desde 2020, segundo a ANS. Traduzindo, as operadoras gastaram uma fatia menor da receita com assistência e registraram resultados recordes. Guarde esse dado, porque ele conversa diretamente com a percepção dos usuários que veremos a seguir.

Como o brasileiro avalia os planos de saúde

Aqui entra a camada da percepção, medida pela pesquisa Raio-X da Saúde Suplementar no Brasil, conduzida pela FGV em parceria com o IPESPE, com 2.000 entrevistados em todas as regiões do país.

Quando o assunto é a rede privada, a avaliação é razoável. Segundo o estudo, 42% classificam a rede privada como regular e 34% como ótima ou boa, uma nota melhor do que a atribuída à rede pública. A satisfação de quem tem plano é ainda mais alta: a pesquisa aferiu nota média de 7,7 numa escala de 0 a 10, com 77% dos usuários dando notas entre 7 e 10 para o próprio plano.

Porém, mesmo entre quem gosta do plano, persiste a sensação de que a mensalidade é cara e de que os reajustes não são bem explicados. Não à toa, esse é o tema que mais gera atrito entre usuário, empresa e operadora.

saude suplementar

Confiança: o paradoxo da saúde suplementar

Existe um contraste curioso no setor: as pessoas gostam do próprio plano, mas confiam pouco no sistema como um todo. A pesquisa mostra que 55% dos brasileiros confiam pouco ou não confiam no setor, enquanto 42% confiam ou confiam muito.

A confiança sobe entre quem de fato usa o plano e cai entre os mais velhos e quem nunca teve. O que corrói a imagem do setor são as histórias de negativa de cobertura e dificuldade de acesso que circulam e viram notícia. É um problema de reputação coletiva que a boa experiência individual não apaga sozinha.

A importância dos planos para o brasileiro

Se a confiança é dividida, a importância é praticamente consenso. O estudo aponta que 88% dos brasileiros consideram os planos de saúde importantes ou muito importantes para a população, número que sobe para 94% entre quem já é usuário.

Mesmo em um período de sobrecarga, 40% dos entrevistados avaliaram como boa ou ótima a atuação dos planos durante a COVID-19, com destaque entre mulheres, adultos de 25 a 44 anos e pessoas com ensino superior.

Os desafios: judicialização e fraudes

Cada vez mais gente recorre à Justiça para garantir cobertura, o que eleva os custos operacionais das operadoras e cria insegurança jurídica que, no fim, também aparece no preço. Um exemplo comum é a ação para cobrir um medicamento ou procedimento fora do rol da ANS: enquanto a discussão corre, cresce o custo com honorários, perícias e liminares, e essa conta acaba diluída em todos os contratos.

Além disso, um estudo do IESS conduzido pela EY estimou que as fraudes custaram ao setor entre R$ 30 bilhões e R$ 34 bilhões, o equivalente a mais de 11% das receitas das operadoras. Reembolsos irregulares, procedimentos desnecessários e documentos adulterados drenam recursos que deveriam ir para o cuidado, e ajudam a explicar por que o reajuste sobe mesmo quando a operadora vai bem. Combater esse desperdício com gestão e análise de dados é uma das formas mais concretas de proteger o orçamento de uma empresa.

O que esperar do futuro da saúde suplementar

A pesquisa da FGV mostra que 55% dos entrevistados acreditam que os serviços dos planos vão melhorar nos próximos anos.

A digitalização, a telemedicina e o uso inteligente de dados vêm tornando a gestão mais eficiente e o combate ao desperdício mais preciso. O setor que sair na frente nessa transformação tende a entregar um serviço melhor e mais sustentável, e é isso que a percepção do consumidor parece antecipar.

Como a Bentec atua na saúde suplementar

Atuar bem nesse setor exige unir cuidado com pessoas e inteligência de gestão, e é aí que entra a Bentec. Com mais de 10 anos de mercado, 400 mil vidas administradas e R$ 385 milhões em sinistros gerenciados, a consultoria ajuda empresas a oferecer um bom plano sem perder o controle do orçamento.

Na prática, isso significa usar Health Analytics e BI para monitorar a sinistralidade, identificar grupos de risco e caçar o desperdício que infla o custo, além de auditar o plano em busca de cobranças indevidas. É o cuidado com o beneficiário caminhando junto com a proteção do bolso do gestor.

Entender a saúde suplementar no Brasil é o primeiro passo para tomar decisões melhores sobre o plano da sua empresa.

Se você quer uma gestão que traduz esses dados em economia real, fale com a Bentec pelo WhatsApp e conte com uma parceira que cuida de pessoas e de números ao mesmo tempo.